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Viaje sem culpa – volte sem nada

Eu tenho uma conhecida na internet que acompanho nas redes sociais há mais ou menos dois anos. Ela é uma garota legal e inteligente que escreve em um blog e recentemente decidiu voltar para a Europa para fazer um mestrado em uma área que, por muitas razões, provavelmente não irá guiá-la a um grande emprego. E ela sabe disso, acredito, porque fala mais sobre isso como “uma oportunidade para aprender e expandir a mente” do que uma preparação para uma futura carreira. O que é bom, mas a verdade é que ela pode aproveitar esse tipo de liberdade — ser como uma andarilha que ama viajar, estudar pelo prazer de estudar e de ter longas conversas em bons jantares — porque ela vem de uma família que tem dinheiro e, se não totalmente subsidiada, nunca teve que se preocupar com sua segurança no futuro. Ela ganhou uma espécie de loteria genética, e é inútil invejar a liberdade que o destino a concedeu.

Como não se identificar com esse tipo de julgamento? alô alô minha Campina Grande!

Uma vez, entre as férias de final de ano e um curso de férias em janeiro, eu decidi que iria usar esse intervalo de tempo para percorrer o trajeto da cidade onde eu morava até a cidade onde seria o curso, de trem, parando nas principais cidades. Em 1 semana visitei 3 cidades sensacionais, fazendo o mesmo trajeto que eu faria em 4h de trem em um único dia. O que eu fiz? Uni o útil ao agradavel… Na minha cabeça isso é tão óbvio mas depois de me deparar com cursos sobre “como planejar uma viagem” (e ter alunos) eu percebi que isso não é tão obvio pra muita gente. Pessoas observam a vida de quem sabe otimizar tempo e dinheiro como uma pessoa que não tem preocupação nenhuma na vida além de ~curtir a vida~. Esses dias, uma das minhas fotos postadas no facebook, um conhecido postou: Eu queria viver viajando que nem tu. Eu posso ser muito sensível mas eu entendi isso como um:  “ela vive assim porque ela vem de uma família que tem dinheiro e, se não totalmente subsidiada, nunca teve que se preocupar com sua segurança no futuro. Ela ganhou uma espécie de loteria genética, e é inútil invejar a liberdade que o destino a concedeu🙁

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As vezes me sinto na responsabilidade de tentar não alimentar essa ideia de que precisa ser completamente irresponsável pra ter uma vida ao redor do mundo porque mesmo se você é rica pra cacete minha kirida isso não te da motivos para NÃO trabalhar, NÃO estudar ou NÃO pensar que a fonte tem que ser alimentada todo mês, porque de inútil ja basta a nossa câmara dos deputados.

E a gente se depara com muito blog de viagem por essa internet que conta a historia de pessoas “inspiradoras” que deixaram o emprego que odiavam para viajar o mundo, incentivando pessoas a fazerem o mesmo sem destacarem que por tras dessa “largada de vida” houve todo um planejamento financeiro para que isso ocorresse. Gente, ninguém vive de ar. Essas pessoas (ou eu também) passam a viver de sonhos: o de vocês (ou o meu também) que entra no blog dessa galera pra acompanhar suas vidas espetaculares e acabam gerando renda para que elas continuem a ter uma vida espetacular, simples assim. Essa galera (ou eu também) vira noites escrevendo textos, editando fotos e vídeos pra transformar sua expectativa em realidade, com informações bem relevantes que nenhum guia turístico poderia te dar. Nos ajudem, parem de pensar que todo blog de viagem é feito por uma pessoa que não faz nada da vida. Ninguém, responsável o suficiente, “larga tudo na vida” e sair por aí videndolavidaloka. Tudo precisa de um planejamento, nem que o planejamento seja: tenho R$100 pra comer, vou de carona até machu pichu, lá eu arrumo um emprego penteando lhamas, faço muitos amigos e me sinto completo. Cada um tem um pré-projeto de vida, cabe a você criá-lo e colocá-lo em prática,  mas planejar é preciso!

E o mais importante: não é porque fulana vive viajando que ela é melhor ou mais feliz que você que estagia desde do 2 período, se formou com muita dificuldade e vive pedindo a Deus que o mês acabe porque o salário ta ali, na beirinha do abismo. Inclusive eu digo mais, eu INVEJO MUITO essa galera de 22 anos que teve mais empregos do que eu e digo mais ainda, essa pessoas muito provavelmente vão ocupar lugares nos quais eu um dia desejei estar e nunca consegui. A vida é feita de escolhas, amores, as minhas nem sempre foram as mais corretas porém me ensinaram demais. Viajar é maravilhoso te abre a mente, te ensina pra caramba, te prepara pra vida mas qual emprego nessa vida não faz o mesmo?

Hoje esse blog existe para de tentar mostrar as pessoas que é possivel sim viajar tendo um emprego fixo ou fazendo um mestrado. É possivel viajar por 4 dias na normandia gastando so 120€ ou conhecer a Riviera Francesa no busão de 1,50€. É possivel conhecer Londres ficando em hosteis podres, é possivel conhecer o mundo de tanta forma! Gente, é possivel morar em Paris sem morar em Paris hahaha prazer, eu.

Sim, eu vendi tudo quando decidi sair do Brasil num caminho quase sem volta, mas vendi porque essas coisas não teriam uso estando elas lá e eu cá, o dinheiro sim teve uso. Viajar o mundo todo não é meu sonho, nunca foi e talvez nunca será, mas é através do meu sonho que eu quero viajar o mundo. Entendem a diferença? Então continuem conquistando o seu espaço, trabalhem/estudem muito porque vale a pena! 🙂 ~clichêzona~ Seja este trabalho por trás de um blog ou de uma obra, vá conhecendo esse mundo que é enorme e com fé em Deus ainda viveremos muitos anos para vê-lo, afinal, a vida não acaba com 25 anos ta? Ela começa.

Beijos empolgados de quem ama viver…

Rebecca.

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1 Comment

  • Raphael Sales 12 de julho de 2016 at 00:56

    Tipo, passar uma semana viajando a base de baguette com queijo, e torcendo para que seus couchsurfings te preparassem jantar! Kkkkkkkkkkkk
    Há sempre uma troca, sempre deixamos algo e levamos alguma coisa dessas viagens. Na maioria das vzs deixava alguns kg’s, mas voltava carregado de histórias.. Kkkkkkkkk

    Reply

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