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Viajando sozinha

Quando comecei a viajar sozinha não tinha em mente que seria perigoso, não tinha em mente que “meninas não faziam isso sozinhas” nem nunca passou pela minha cabeça que seria menos divertido estando só. Na verdade eu comecei a viajar sozinha por falta de opção mesmo… poucos pais no começo dos anos 2000 deixavam uma adolescente de 14 anos pegar um ônibus intermunicipal sozinha, então nenhuma amiga era autorizada a ir na minha onda e foi algo natural, que fui desenvolvendo aos poucos e, eu devo muito aos meus pais, por me deixarem livre pra descobrir o mundo, mesmo que sozinha (ou até melhor que sozinha).

Viajar sozinha não deveria te provocar medo porém eu sei que esse medo é imposto por perguntas do tipo “mas você vai sozinha? não tem medo?” não. Meu pai sempre me dizia: não sabendo que era impossível, foi lá e fez.  O medo trava muita gente e as fazem não irem explorar lugares que você só escuta falar… um exemplo? Tem gente desistindo de ir à Paris por medo de atentado terrorista. Se a gente for pôr isso na ponta do lápis é mais fácil a gente morrer em um assalto na esquina de casa do que um atentado terrorista em Paris. Tô mentindo?

Viajar sozinha nem sempre é uma experiência de descoberta, nem sempre é uma atitude que toda mulher tem que ter uma vez na vida pra se descobrir. A gente se descobre diariamente, sabe? Estes dias, eu descobri que eu faço uma feijoada maravilhosa, que eu consigo segurar o choro no trabalho e que eu consigo abrir uma conta bancária em francês… não vai ser uma viagem que vai te fazer se descobrir por inteiro, mas uma coisa é certa: ela vai te fazer entender o que você precisa pra se sentir completa. No meu caso eu descobri que o mundo ta aí e eu não posso esperar que alguém se sinta apto a descobri-lo junto comigo porque simplesmente esse alguém pode não chegar… vou passar a vida toda sonhando em viajar? Eu, hein.

O que eu quero dizer é que sentir medo é normal, mas não pode ser fator determinante nessa história. Muito fatores influenciam esse medo e você deve analisá-los com a maior imparcialidade possível, conversar com pessoas que já foram, pesquisar em blogs de viagem, ver vídeos e saber que algo pode acontecer com você sozinha ou em grupos como foi meu caso no Marrocos. Merda acontece sempre, em todo lugar, amiga. Segura na mão de Deus e vai. E claro, sua primeira experiência sozinha não vai ser viajando pro Irã, né? Vamos com calma, eu comecei pela Itália, você daí do Brasil pode começar por Buenos Aires, ou até pela cidade turística mais próxima.  E se quiser saber, eu já viajei muito por um país bem conhecido por ser perigoso… o Brasil. Txaram!

Hoje de fato viajo principalmente pela Europa, porque é onde eu moro, e a gente tem a sensação de ser mais segura viajando sozinha, né? Mas muita gente sabe o que me aconteceu em Amsterdam (Primeira parte aqui). Então de novo, a insegurança, sozinha ou não, existe em QUALQUER LUGAR, colega.

pareço sozinha nessa foto?

pareço sozinha nessa foto? foi em Amstedam.

Mas e aí? viajar sozinha não tem que ter necessariamente aquele esteriótipo de viajante que usa roupa indiana, sem maquiagem, uns dreads e com um mochilona nas costas pedindo carona na estrada. Sou metade mochileira, metade jetsetteeerrr hahaha Gosto de conforto e privacidade pagando mais barato. Fico quase sempre em hostel mas aprendi que não adianta pagar 10€ por uma noite e dormir mal pra caramba. Existem hostéis de 25€ que te proporcionam um conforto digno de hotel. Carona dá pra pegar com horário e local marcados, pagando bem pouco (praticamente dividindo a gasolina, existem app pra isso), e a privacidade? Existe também… muitos hostels colocam cortinas nas camas e banheiros dentro dos quartos. Não carrego mochila porque eu acho que dá muito mais trabalho que arrastar uma mala de rodinha e eu nunca viajo mais de 15 dias por vários motivos:

  • Cansa

Quando viajamos  a gente pensa que é pra descansar mas a gente bem sabe os 8km que a gente anda diariamente pra conhecer de cabo a rabo uma cidade usando aquele tênis de academia maravilhoso, né?

  • Lavar roupa

Principalmente quando é calor você acaba sujando muita roupa e perder um dia de férias pra ir na lavanderia não é lá um programa que a gente espera né? roupa para 15 dias, o suficiente.

  • A mala fica grande

Por mais que você não leve quase nada pode ter certeza que você vai voltar com quase tudo. É sempre uma lembrancinha aqui, outra ali… uma brusinha, uma maquilagi etc. A mala acaba ficando pesadíssima e eu já dei um jeito nas costas colocando a mala numa balança de aeroporto #idosinha.

Sobre hospedagens: Eu não faço Couchsurfing (aquelas parada que você fica de graça na casa das pessoas sabe?), prefiro pagar, no caso prefiro Airbnb. Eu só dormi na casa de estranhos uma única vez e foi uma experiência maravilhosa, diga-se de passagem… mas não faz meu tipo. Não me sinto bem ficando de graça na casa de ninguém, sempre acho que to incomodando… fico desconfortável, não faz meu tipo de verdade. Porém eu já tive companhias que conheci no Couchsurfing e que foram meu guias pela cidade, isso aconteceu em Milão e em Lyon. Pessoas locais que tiraram o seu dia pra passear comigo 🙂 Foi ótimo e se você consegue marcar um encontro no Tinder, consegue facilmente ir passear com alguém do Couchsurfing, tá migs? hahaha e melhor, sem segundas intenções! Também tem outra opção se você cansar da solidão: walk tours, bike tours e pub crawl 🙂 Eu fiz um pub crawl em Dublin e conheci duas meninas que me acompanharam o resto da viagem, tornou-a mais divertida, de fato. E o mais legal é que quando a gente  conhece estranhos em viagens a gente não tem aqueeeeeeeeeeela obrigação de fazer tudo junto sabe? Mas também se tiver afim, são pessoas que viram seus amigos até depois da viagem. Uma das meninas de Dublin mora em São Paulo e acabou levando um presente que eu tinha comprado pro meu namorado e entregou a ele via motoboy hahaha ♥

Falando em segundas intenções, viajar sozinha a gente já pensa nas possibilidades de  sofrer assédio… é a realidade, ele ta por todo canto… no Chile um funcionário de um supermercado se abaixou pra pegar um produto e tirou foto das minhas pernas, num portunhol bem porco eu peguei o celular dele, taquei no chão e disse: SE VOCÊ NÃO APAGAR A FOTO, EU APAGO VOCÊ. (ui perigosa!) Imediatamente ele apagou e me pediu desculpas… e eu não estava sozinha, estava com toda a minha família que quis chamar o gerente e fazer aquele auê, claro. Muito destes homens não esperam atitudes assim e por isso fazem este tipo de palhaçada… mas nem sempre é seguro fazer isso, a gente sabe. Mas de duas uma… ou você impõe respeito e vê o que acontece ou cala-se e vai pra casa sentindo-se um lixinho 🙁 Eu sou desbocada mesmo e se você ta enfrentando o seu medo de viajar sozinha, você já enfrentou a você mesmo nessa história. Nunca se cale, combinado? Sempre vai ter alguém pra te ajudar, acredite… Ainda existe seres humanos bons por aí! 🙂

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eu neném em algum lugar do Chile em 2009

E viajar sem falar o idioma do local é arriscado? é, mas não é tão primordial, ninguém deixa de ir pra Paris porque não fala francês, né? A gente se vira no inglês SEMPRE. Não venham me dizer que pode ser divertido sair por aí se comunicando por meio de mímicas que não é… haha quando a coisa pega o que você mais quer é explicar exatamente o que aconteceu pra conseguir a solução o mais rápido possível. Inglês é básico, se você não tem… ainda não tá na hora de viajar sozinha por países desconhecidos. Falo isso do fundo do meu coração, a única pessoa que pode “te defender” é você mesmo. E se você já tem medo de estar ali sozinha, imagina tá sozinha e analfabeta? haha. Se não tem o inglês, antes de viajar pratique um pouco… o básico pelo menos. Existe “N” aplicativos que te ajudam a desenvolver a língua sem sofrimento 🙂 Duolingo é um deles! E se você vai pra países sulamericanos, relaxa! Portunhol é vida ♥

Última e mais essencial dica é: sempre que for viajar, mudar de hotel ou cidade… avisem aos familiares. Além de deixar todo mundo tranquilo, caso algo aconteça eles sabem ontem te encontrar (viva ou morta) TO BRINCANDOOOO hahahaha relaxa vai dar tudo certo!

Viajar sozinha não é muito diferente que ir almoçar sozinha num restaurante, ir no shopping sozinha pra fazer compras, dormir sozinha no quarto… tá? O que muda é o garçom, são as lojas e os lençóis. O que muda em você é a capacidade de se reconhecer capaz de fazer tanta coisa que talvez você dentro do seu mundinho jamais saberia que seria capaz. O que muda em viajar sozinha é a conta bancária que fica mais magrinha, de fato, mas uma vida tão repleta de histórias que não existe blog nenhum capaz de reuni-las.

Já parou pra pensar o que você vai contar pros seus netos?

🙂

se joga mulher!

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