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Até quando terei que me despedir das pessoas?

Essa foi uma frase que eu disse aos prantos pra uma amiga que estava do outro lado do oceano escutando meus 120 áudios do whatsapp.

É muito difícil se despedir de alguém e mesmo que essa pessoa não necessariamente morra, no meu caso, eu sei que muita gente que conheci nessa vida eu provavelmente nunca mais irei ver novamente. De certa forma aquela pessoa que você conheceu em um determinado momento “morreu” na sua vida. Pra mim, que muda de cidade a cada 2 anos, aquilo de cruzar no supermercado com um ex colega de classe, por exemplo, é algo praticamente impossível. Pra exemplificar:

Quando estudei inglês no Canadá, tive um flatmate sul-coreano que todo dia na hora do jantar me contava que o sonho da vida dele era ser político. Certa noite ele chegou bêbado em casa, depois de uma visita a uma fábrica de cerveja organizada pela escola, me falando que seria presidente. O nome dele era Han e eu lembro como ele me fazia rir e salvava minha vida sempre quando eu chegava tarde em casa e a dona do apartamento me trancava do lado de fora. Han fez parte de um pedaço muito importante da minha vida, meu intercâmbio. Naquele tempo, eu lembro que peguei o email dele pra manter contato… mas acho que anotei o email errado e nunca mais conseguir contacta-lo. Han “morreu” na minha vida e hoje ele existe como um personagem na minha memória. Ele foi apenas um, mas quantos tantos eu conheci em Vancouver que se perderam no tempo? (e no espaço) E muito bizarro como tanta gente que é tão importante pra você hoje, amanhã pode não ser. Isso não mexe com a cabeça de vocês não? eu fico doidinha 🙁

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Han e sua garrafa de 51 que a gente deu de presente pra ele haha

E assim foi sendo nessas minhas mudanças de cidade… é muito difícil com o rumo da vida manter contato constante com aquelas pessoas, mas Deus abençoe a internet! Ainda hoje tenho alguns poucos updates da vida de um outro coreano que me dizia que era sobrinho do Kim Jong-un e que estava no Canadá para uma missão secreta haha ou daquela amiga de adolescência que comemora o aniversário de 7 anos da filha mais velha. Esses updates são bons, mas e aqueles que te machucam?

Numa dessas tristezas da vida escutei de um conhecido: “rebecca, ninguém é insubstituível” eu preferia que ele tivesse jogado uma paralelepípedo na minha fuça do que ter que escutar aquilo… será mesmo? 🙁 Quero acreditar que não, meu pai nunca será substituido por outra pessoa, meu ex namorado que me chifrou nunca vai ser substituido por outra pessoa… cada um tem seu papel na vida de alguém, cabe a eles desempenharem da maneira que me dê duas opções: saudade ou alívio.

Muitas lembranças me fazem ter um sorriso no rosto, outras faz o meu coração doer. Doer porque foi bom demais e eu tenho a plena consciência que não vai mais se repetir… Quando a gente se despede acho que é isso que acontece com a gente, a gente sabe que ta dizendo adeus pra uma fase de nossa vida que não vai voltar e o coração dói. Eu confesso que mesmo tirando tantas fotos, eu evito olhar pra fotos antigas. Até posts antigos eu evito reler, me faz mal saber o quanto eu fui feliz.. não sei explicar. Preciso me tratar?

Chorar em transportes públicos é só para os fortes. Esconder as lágrimas daqueles olhares de pena/julgamento é uma humilhação que quando a gente ta triste, nem liga… mas da vontade de gritar EU TO INDO EMBORA E DEIXANDO MEU CORAÇÃO ALI SABE? OLHA PRO TEU LADO E FICA FELIZ PORQUE O TEU TA AÍ DO TEU LADINHO E ME DEIXA CHORAR EM PAZ 🙁

achei essa foto perdida no meu iphone e achei pertinente... essa sou eu em algum momento de despedida dolorosa da minha vida.

achei essa foto perdida no meu iphone e achei pertinente… essa sou eu em algum momento de despedida dolorosa da minha vida.

E daí que eu deixo o coração ali e vou embora… e fico me perguntando o trajeto inteiro: em busca do que? Se sem coração a gente não vive? A gente tenta ser forte, tenta colocar na cabeça que “tried to keep you close to me. But life got in between” c’est la vie… sabe? acontece… Mas é muito ruim se contentar que vida entrou de gaiata no meio e é isso, engole o choro. Eu sempre quero ir contra a maré quando eu acredito que vale a pena, tento me dividir em 2 mundos… Não sei vocês mas eu não consigo ser duas em dois lugares ao mesmo tempo. E quando o esforço é tanto e o retorno é mínimo a gente se entristece, se encolhe no canto e enfia na cabeça que a gente não pode se sentir mal porque ta fazendo coisas que é melhor pra gente. É preciso escolher fazer parte de um só e esses últimos dias eu vi que eu precisava escolher um só e escolhi.

Aprendi que morre um pedaço de nós quando dizemos adeus a alguém e nasce um pedaço das pessoas em nós quando dizemos adeus, é um ciclo sem fim… um ciclo que machuca tanto que a gente cansa até de sofrer.

Já dizia Oasis né? How many special people change?

 

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7 Comments

  • Karinna 31 de agosto de 2016 at 21:43

    Identificando-me com tudo, poooorém… Quando se quer ir, o melhor é ir; sempre se pode voltar para o(s) lugar(es) físico(s) quando se muda de ideia. ¯\_(ツ)_/¯

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    • Rebecca Cirino 1 de setembro de 2016 at 06:08

      mas nem sempre se pode voltar pra pessoas… lugares físicos estão sempre lá, pessoas não. 🙁

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  • pamella 1 de setembro de 2016 at 21:41

    rapaz…. sei nem o que dizer, mas é isso aí o que tu escreveu. não acredito nisso de todo mundo ser substituivel. ninguem é uma máquina e a nossa mente também não é um troço que a gente pode fazer uma recauchutagem e jogar fora o que não presta ou o que deixou memoria ruim. acho todo mundo que passou pela vida da gente serviu e serve para algo; como voce falou: para saudade ou para alívio. para um monte de outras coisas também.

    eu odeio dar tchaus. creio que no passar do tempo fui querendo ficar menos perto das pessoas exatamente pra não aumentar a quantidade de “adeuses” que eu poderia dar. nego a passagem do tempo até onde dá porque ve-lo passar e nunca voltar, não ver o lá na frente e, às vezes, ficar estagnada nesse “presente” onde a gente só consegue ver o que perdeu é doloroso demais.

    minha vida foi sempre muito pautada em pessoas. não me liguei muito em ir atras da profissão dos sonhos, do lugar dos sonhos, do sucesso financeiro/pessoal em primeiro lugar. a ideia inicial era sempre “com quem quero compartilhar minha vida?” e, obviamente, isso rendeu um monte de pedaços do coração indo embora com pessoas que valeram muito a pena e outras nem tanto.

    e o mais curioso: a gente vai morrendo junto também, porque a gente acaba se tornando outra pessoa. de repente, a cada dois anos uma rebecca troque de pele e se torne outra e por aí vai.

    … e fico me perguntando: será que o Han lembra de você? TIpos, ele não faz ideia de que a gente ta comentando sobre ele aqui. Quantas pessoas no mundo tão comentando ou pensando sobre a gente agora e a gente nem sabe?

    (imagina que louco ver o Han em algum noticiario no futuro como um político?)

    pra quem não tinha o que dizer, até que falei muito.

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  • Rebecca Cirino 3 de setembro de 2016 at 07:34

    A vida é cheia de ciclos e são esses ciclos que eu não aprendi dizer adeus mas tenho que aceitar que amores vem e vão, são aves de verão! hahaha Nunca um sertenejo fez tanto sentido.

    Eu sempre tentei ser pautada em mim sabe? mas não tem jeito, quando a gente se apaixona é difícil a gente pensar só a gente, aliás é impossível. Mas eu sempre tentei equilibrar as coisas do tipo, correr atrás dos meus sonhos e ter alguém do meu lado porque eu vou ser a pessoa que eu vou ter que aguentar o resto da vida e se eu não estou feliz comigo eu não vou ser nunca feliz por completo entende? Mas é difícil demais equilibrar as duas coisas… de todos os meus relacionamentos, nennhum deles sonhou os mesmos sonhos que eu e claro isso rendeu vários pedaços de corações. Um dia eu acerto!

    A gente morre junto porque a gente deposita esperanças demais em pessoas, que são falhas, inclusive nós. Mas o que a gente faz? para de viver? num dá ne… segue em frente. Um dia para de doer…

    Eu as vezes tenho curiosidade de saber o que as outras pessoas pensam de mim anos depois, mas é impossível pois elas “morreram” 🙁 E seria interessante ver Han sendo um político famoso porém eu nunca reconheceria ele por questões de ~são todos iguais~

    😀

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  • Myla 17 de setembro de 2016 at 15:14

    Estou passando por isso. Dói pra caramba. Como pode a gente fazer uma viagem, ser tudo maravilho, ficar tão feliz, mas depois passar por essa “sofrência”?!

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    • Rebecca Cirino 21 de setembro de 2016 at 12:28

      é normal Myla, a gente tem que aprender que a vida é feita de fases… eu sofro sempre mas tenho que aceitar sempre, se a gente não aceita a gente prolonga o sofrimento 🙁 fica bem :* outras fases boas virão!

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  • Tiago Miarelli 5 de maio de 2017 at 11:26

    Cada escolha exige um renúncia. Nessa vida a gente deixa um pouco de nós e leva um pouco do outro,ficam as lembranças e a dor da saudade. O que for verdadeiro um dia irá voltar, Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.

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